Obesidade: entenda as causas dessa doença crônica e multifatorial
A maioria das pessoas acreditam que a solução para a obesidade consiste na prática de exercícios físicos e no consumo de alimentos saudáveis; mas não é bem por aí
Manter uma rotina saudável, com exercícios físicos regulares e alimentação equilibrada, muitas vezes não é suficiente para uma pessoa com sobrepeso ou obesidade conseguir perder ou manter o peso ideal. Isso ocorre porque a obesidade é uma doença crônica, multifatorial e complexa, que vai muito além da simples relação entre “comer demais e se exercitar pouco”.
Diversos fatores — genéticos, metabólicos, psicológicos, ambientais e socioeconômicos — influenciam o modo como o corpo consome, gasta e armazena energia. Por isso, compreender a obesidade como uma doença e não apenas como uma questão estética é o primeiro passo para o tratamento eficaz e o combate ao preconceito que ainda cerca esse tema.
Entenda o que é sobrepeso e obesidade
A obesidade afeta pessoas de todas as idades, gêneros, raças e classes sociais. No Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, mais da metade da população adulta (55,7%) está acima do peso, e cerca de 20% já vive com obesidade — números que continuam crescendo ano após ano.
O sobrepeso e a obesidade se desenvolvem quando há um desequilíbrio entre o consumo e o gasto energético — ou seja, quando o corpo recebe mais calorias do que consegue gastar. Esse excedente é armazenado em forma de gordura corporal.
O diagnóstico é feito com base no Índice de Massa Corporal (IMC), que resulta da divisão do peso (em quilos) pela altura (em metros) ao quadrado. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS):
- IMC entre 25 e 29,9 indica sobrepeso;
- IMC igual ou superior a 30 caracteriza obesidade.
No entanto, o IMC é um indicador geral e não considera a composição corporal, razão pela qual deve ser interpretado junto com outras avaliações médicas, como percentual de gordura, circunferência abdominal e exames metabólicos.
Consequências da obesidade para a saúde
A obesidade é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, hipertensão arterial, acidente vascular cerebral (AVC), apneia do sono e até certos tipos de câncer, como os de mama, cólon e fígado.
Além das complicações físicas, há também impactos emocionais e psicológicos profundos. O preconceito e a discriminação sofridos por pessoas com obesidade podem levar à baixa autoestima, ansiedade, depressão e isolamento social.
Nas mulheres, a obesidade pode causar alterações hormonais e aumentar o risco de infertilidade e síndrome dos ovários policísticos (SOP).
Principais causas da obesidade
A obesidade é resultado da interação de múltiplos fatores.
Embora o consumo calórico excessivo e o sedentarismo sejam causas diretas, existem mecanismos biológicos e genéticos que explicam por que algumas pessoas ganham peso com mais facilidade do que outras.
1. Fatores genéticos e biológicos
Mais de 400 genes estão associados à regulação do peso corporal. Eles influenciam o apetite, a saciedade, o metabolismo, o gasto energético e até a distribuição da gordura.
Cerca de 70% da predisposição à obesidade pode ser explicada por fatores genéticos, segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).
Esses genes estão ligados ao chamado “mecanismo poupador”, herdado de nossos ancestrais caçadores-coletores. Em épocas de escassez, esse mecanismo ajudava o corpo a armazenar energia em forma de gordura para sobreviver a longos períodos sem alimento. No mundo moderno, onde o acesso à comida é constante, esse mesmo mecanismo se torna um fator de risco para o ganho de peso.
Além disso, alterações hormonais — como resistência à insulina, síndrome de Cushing, hipotireoidismo e distúrbios do sono — também podem contribuir para a obesidade.
2. Fatores comportamentais e ambientais
A urbanização e o estilo de vida moderno reduziram drasticamente o gasto calórico diário.
A maior parte das pessoas trabalha sentada, utiliza transporte motorizado e passa horas em frente a telas. Ao mesmo tempo, há uma oferta crescente de alimentos ultraprocessados, ricos em açúcar, gordura e sódio, mas de baixo valor nutricional.
Esses hábitos, somados ao estresse, à falta de sono adequado e ao ritmo acelerado da vida moderna, criam um cenário favorável ao ganho de peso.
3. Fatores emocionais e sociais
Muitas pessoas usam a comida como forma de alívio emocional diante de situações de ansiedade, tristeza, tédio ou frustração — comportamento conhecido como fome emocional.
Além disso, o ambiente familiar e a condição socioeconômica influenciam diretamente na relação com a alimentação: quanto menor o acesso a alimentos frescos e mais saudável, maior a probabilidade de consumo de produtos industrializados e calóricos.
Obesidade é doença?
Sim. Desde 1997, a Organização Mundial da Saúde reconhece oficialmente a obesidade como uma doença crônica e recidivante, ou seja, que tende a reaparecer se o tratamento não for mantido.
Ela exige acompanhamento médico contínuo, preferencialmente com uma equipe multidisciplinar formada por endocrinologista, nutricionista, educador físico e psicólogo.
O tratamento deve ser individualizado e pode incluir mudanças de hábitos, terapia cognitivo-comportamental, uso de medicamentos e, em casos mais graves, cirurgia bariátrica. O objetivo principal é melhorar a saúde metabólica e a qualidade de vida, e não apenas reduzir o peso na balança.
Como prevenir e tratar a obesidade
A prevenção começa com educação alimentar e estímulo à atividade física desde a infância. Pequenas mudanças consistentes são mais eficazes do que dietas radicais e temporárias.
Algumas recomendações incluem:
- Priorizar alimentos naturais e minimamente processados;
- Evitar bebidas açucaradas e produtos ultraprocessados;
- Dormir bem e manter rotina regular de sono;
- Praticar exercícios físicos de forma prazerosa e contínua;
- Reduzir o estresse e buscar apoio psicológico, se necessário.
Um novo olhar sobre o corpo e a saúde
Mais do que um número na balança, a obesidade deve ser vista com olhar humano, empático e científico.
O combate ao estigma é parte fundamental do tratamento — afinal, vergonha, culpa e discriminação não curam doenças.
Informação, acolhimento e acesso à saúde, sim.
Para obter mais informações sobre as causas, o diagnóstico e as opções de tratamento da obesidade, acesse o site Saúde Não Se Pesa.
Desde 2016, esse movimento liderado pela Novo Nordisk busca promover conscientização e qualidade de vida, mostrando que o único padrão que realmente importa é o padrão da saúde.
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